A falar com a Catarina (professora de português que está grávida) sobre a Mensagem de Fernando Pessoa, e a resposta dela quando lhe perguntei se achava que “era a hora”, ela responde-me com o termo literário “deitico” – elemento linguístico que não tem sentido por si só, pelo que a sua função é fazer referência, num enunciado, à situação, ao momento de enunciação ou aos interlocutores.
Deu depois o exemplo do sinal na Farmácia que lê “Volto já”, o que faço eu? Espero 5 minutos. E passados 15 minutos o que é que faço depois de não aparecer ninguém? Talvez vá embora. O sinal “volto já” talvez estivesse ali plantado há anos. Não vamos muito a fundo nesta questão, mas sinto potencial.
Ocorre-me também ela a dizer que tinha uma perspectiva de vida e de morte meio diferente, algo afetada pela sua história. Isto acerca do covid. Ela acaba por nos dizer que tem um cancro no sangue. Falou-se tão pouco depois nesse facto life changing. Como se ninguém simpatizasse com a pessoa dela, mas que é bom pelo menos perguntar, mostrar alguma preocupação, mas nada, eu incluído. Sente-se também ela a querer a sua própria cadeira.
Mas ela diz-nos aquilo e nós ok tudo bem, passamos por cima dessa conversa. É de um egoísmo tal. Absurdo. Estou a adormecer a escrever isto, amanhã ou depois acabo.