Casamento, tragédia e beleza

Existe beleza sem tragédia, afinal? Um dia destes fui a um casamento bonito e trágico. Bonito de ver as famílias juntas e amigos unidos para celebrar. Foi mais bonito vê-los antes da festa do que durante a festa. No antes vê-se um ambiente natural e adocicado pela expectativa da celebração. A família a interagir e trabalhar junta em tarefas de decoração e organização do evento. Formiguinhas em sintonia, cada uma com o seu trabalho e destino bem definidos, e felizes com isso.

Na festa, junta-se a tragédia. Na festa temos finalmente a colheita dos frutos do trabalho. Não se deve descurar a força da celebração e do ritual. A tragédia está presente, no entanto. O jovem casal dá tudo, está contente, e quer trazer toda a gente para o seu barco do amor e da presença. E nós enquanto convidados temos o dever de durante aquelas horas trazer a nossa presença, despir as vergonhas e preconceitos, despir tudo, e celebrar a fundo. A tragédia é ver o quão poucas pessoas são capazes de se despirem, de tirarem a máscara e se juntarem aos noivos que tanto trabalharam e gastaram para estar ali. O mínimo que podemos fazer por eles, se não por nós próprios também, é dar tudo, brilhar alto, uma chuva de estrelas, um conjunto de luas a iluminar o céu. E porque não?

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