14/03/2022
Hoje apercebi-me que tenho dias em que escrevo sem caneta nem papel. Escrevo com o corpo no espaço como uma dança do espírito. Não é como sonhar acordado ou pensar, nada disso. É sentir de forma organizada, poética, ser-se atravessado pelos ritmos do mundo e marcar o compasso no coração.
Estas palavras são água do mesmo rio depois de ele já ter percorrido centenas de quilómetros mas não são escrita sem escrita. A forma mais pura de todas é aquela que não se materializa no mundo dos objetos. Permanece leve e transparente como uma criança em todo o seu potencial não manifesto. Este acto de trazer a caneta ao papel é sujo e imperfeito mas é a única maneira que temos de oferecer escrita uns aos outros.